Nesse arquivo velho…

Um pouco sobre Ciência da Computação, áreas afins e não tão afins.

Papai Noel e a dissertação

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Written by Rafael Vivian

20/12/2011 at 17:31

Publicado em Humor, Mestrado

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Como escrever o “resumo” do artigo

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Written by Rafael Vivian

26/11/2011 at 12:31

Publicado em Humor, Mestrado

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Comentários sem comentários

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Written by Rafael Vivian

12/10/2011 at 12:34

Palestra: Desenvolvimento Distribuído de Software

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Written by Rafael Vivian

17/09/2011 at 10:30

A lista de autores

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Written by Rafael Vivian

10/09/2011 at 11:09

Publicado em Humor, Mestrado

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Introdução à Revisão Sistemática

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Written by Rafael Vivian

24/08/2011 at 11:11

Escrever monografias e artigos científicos

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Encontrei este texto no site do Prof. Dr. Nicolas Maillard (INF-UFRGS). Ele traz dicas e sugestões para a escrita de monografias e artigos.

Escrever bem é fundamental. Ao contrário do que alguns parecem pensar, os documentos escritos são lidos e são importantes. Se seu trabalho é interessante, de alguma forma você deverá explicá-lo, seja através de comentários no código fonte, por e-mail ou em uma monografia. Mais importante ainda numa abordagem científica, ao meu olhar, o simples fato de (tentar de) colocar as idéias pela escrita obriga-nos a formatá-las, o que leva automaticamente a obter a distância crítica necessária para avaliá-las. É muito fácil viajar e fantasiar. Escrevendo-se as coisas, se enxerga muito mais o que vai sobrar.

Por isso, aqui vai a primeira dica: escrever sempre e de forma contínua, desde o início do trabalho. Nessa fase, qualquer arquivo txt ou blog serve, trata-se mais de anotações pessoais para manter um relato de suas idéias e de suas evoluções. É muito difícil, depois de digamos um ano de TC, sentar e escrever 80 páginas de uma vez. É muito mais fácil juntar o material acumulado, tendo apenas que filtrá-lo, quando se escreveu anotações desde o início.

O Norte, o Sul, o Leste e o Oeste: o plano

Escrever oitenta páginas o preocupa? Pois não é difícil, pelo menos para um assunto científico. A segunda dica, fundamental, é que não se escreve tal documento começando pela página 1 da introdução, para terminar 2 meses depois na página 80. A abordagem é “top-down”: começa-se pelo plano. O plano é o fio diretor e deve ser montado indo do geral para o particular, numa estrutura hierárquica:

1. Qual é a idéia principal, a contribuição, o recado? Isso deve se traduzir pelo título. Para obtê-lo, jogue as palavras chaves no papel, tente combinações até achar a fórmula mágica.

2. Obtido o título, pense nos capítulos. Você vai dever contextualizar e escrever o material necessário ao entendimento de suas contribuições. Em geral, isso leva a criar um ou dois capítulos. Sua proposta merece pelo menos um ou dois capítulos também, por exemplo, para detalhar o projeto e depois a implementação. Por fim, não basta dizer que você projetou um chip revolucionário ou inventou uma estrutura de dados que possibilita qualquer acesso em tempo constante, sem prover argumentos para validar essa pretensão. Ou seja, deverá ter pelo menos mais um capítulo de avaliação de desempenho, ou de prova teórica da qualidade de sua proposta. Enfim, uma conclusão deverá sintetizar os avanços e listar as limitações a serem superadas em seu trabalho. (Ninguém irá acreditar que não tem limitação, então é melhor ser honesto nessa parte…)

3. Cada capítulo deverá ser decomposto em seções. Cada seção deve ser relacionada à anterior e à posterior, através de transições lógicas. Nesse ponto, a palavra chave é coerência. O grande inimigo é a “concha de retalhos”: não se decompõe um capítulo em seções para nelas jogar qualquer coisa que pareça relevante. Pelo contrário, cada seção deve vir complementar a anterior, numa progressão que leve o leitor a entender sua abordagem e sua lógica. O capítulo deve começar com uma mini-introdução que deixe clara essa lógica interna. Ele deve se encerrar por uma pequena conclusão que o resume e encaminhe naturalmente o leitor a se motivar para o próximo capítulo.

4. Cada seção deverá ser decomposta em sub-seções, ou pelo menos em parágrafos. O número de sub-(sub)*-seções depende basicamente da complexidade e da profundidade do assunto. Nem sempre é bom escrever um documento que vai até o nível 2.3.1.1 a) de detalhamento.

Chegado a este nível de detalhamento do plano, você deve conseguir projetar um certo número de páginas por (sub*)seção. Feito isso, você tem seu fio diretor pronto.

Veja bem que o trabalho sobre o plano é ortogonal à primeira dica (de escrever sempre). O plano é o esqueleto, a escrita contínua é a carne.

Pronto? Claro que não! O terceiro segredo é que um plano nunca é definitivo. Até você entregar a monografia, você sempre pode mudar tudo. Um plano é algo dinâmico – à medida que você escreve o conteúdo, você irá se dar conta que tal seção, afinal, não se sustenta sozinha. Que faltou apresentar outra noção. Ou então, você esperava obter um resultado que não saiu por falta de tempo. Eu sempre conto a meus alunos que, ao escrever minha tese de doutorado, eu entrava num deadlock ao dever escrever o quinto capítulo. Um dia, meu orientador riscou o capítulo de meu plano, e o transformou na última sub-seção do capítulo anterior. Escrevi-a em duas horas, e a tese ficou perfeita.

Ou seja, o plano é sua bússola, que deve ser seguida. Mas regularmente (toda semana?), se deve fazer o ponto e ver se o plano não deve ser revisado.

Nessas revisões regulares, a pergunta central a se fazer novamente é se o recado geral, a idéia principal, continua sendo igual. Na pesquisa, é muito freqüente que se comece a estudar alguma coisa para chegar a um resultado totalmente diferente no fim (problema do alvo mudando). Faz parte, é até empolgante, mas na hora de sintetizar suas idéias em um documento, o mesmo deve ser coerente e não pode mudar entre seu início e seu fim. Boa parte do trabalho da escrita consiste exatamente em formatar essa coerência entre coisas que nem sempre funcionaram em linha reta.

Nessa lógica, não estranhe se seu título muda nos últimos dias antes da entrega da monografia.

Dicas gerais

Aqui eu listei uma série de considerações que minha experiência mostra que acabam sendo úteis.

Deve-se escrever de forma correta. Cansei de ouvir alunos me explicar que “crase não existe mais em português” ou que “o pessoal fala assim”. O problema não é com a gramática ou a ortografia, não é com as regras do português culto. O problema é na única regra que sintetiza todas as demais: a clareza. A gramática serve para evitar ambigüidades (“indicar a coisa à pessoa”… “Têm” significa plural, é muito diferente de “tem” que é singular). Ora, em um texto científico, você não quer ambigüidades.

Texto escrito não é oral. Por isso, precisa-se ser muito mais preciso, pois o leitor apenas tem acesso ao texto. Se você disser “encontrei o cara… o Fulano… o magrinho… sabe de quem tô falando…”, com boa vontade e um pouco de esforço, seu interlocutor pode entender de quem se trata, ou pedir mais detalhes até entender. Se você escrever “O sistema resolve o problema”, a frase é tão vaga que o leitor não irá entender de que sistema de trata, qual foi o problema resolvido e como.

Faça um esforço especial nas conexões lógicas. “Porém” ou “No entanto” não significam a mesma coisa que “Então”. Fujam do “então” e do “por isso”, muito úteis na comunicação oral, mas que você ganhará a substituir pelos “Por consequência”, “em seguida”, “logo”, “pelo contrário” que são muito mais precisos e evitarão ambiguidades.

Dica básica: uma idéia por parágrafo e um parágrafo por idéia. E, como as idéias devem se relacionar claramente e logicamente, tente começar os parágrafos por conectores lógicos, a fim de ressaltar a coerência do raciocínio. Apesar de essa técnica não levar a um estilo bonito (é um pouco pesado), irá ajudá-lo pelo menos a ser estritamente coerente. Exemplo (os “…” significam que deveria ter mais material escrito no parágrafo):
O ponto inicial para resolver o problema é a necessidade de se usar um algoritmo eficiente. Eficiência pode ser relativa ao tempo de execução, ao uso da memória….
Começando pelo tempo de execução, existem tal e tal alternativa. A alternativa (a) consiste em…
Apesar de ser uma opção interessante, a alternativa (a) pode ser melhorada pela alternativa (b), que funciona assim…
Após ter tratado do quesito “tempo de execução”, deve-se questionar o custo em termo de memória. Em seguida, discute-se…
Além desse espaço na memória, deve-se considerar o número de registradores usados…

Resumindo os itens acima: deve-se obrigatoriamente buscar o uso da palavra mais apropriada. É uma palavra, e não uma outra. Quando ouvi isso de meu orientador pela primeira vez, eu sinceramente achei que ele estava exagerando. Depois, cada vez que falei com um colega ou pesquisador, ouvi ele me dizer a mesma coisa, ou seja: é a regra para valer. Em texto científico, cada palavra conta. Cada vez que você está escrevendo alguma coisa pensando “é mais ou menos isso aí”, você está errando. Escreva de novo.

O leitor não é você. Ele não está em sua mente para interpretar suas palavras. Em particular, ele não pode inventar seu raciocínio lógico: você sempre deve ajudar o leitor a se posicionar em seu texto. É por isso que insisto tanto nas transições e nas conexões lógicas.

Nunca esqueça que seu leitor não tem obrigação nenhuma de ler seu texto, e menos ainda de concordar com suas conclusões. Ele pode (e vai) duvidar de suas hipóteses de trabalho, de sua abordagem experimental, de suas conclusões. Você deve fazer o esforço de convencê-lo, pois o leitor não lhe fará a gentileza de concordar só por gostar de você.

Evite repetições. No mínimo, elas irritam o leitor que perde tempo. No pior dos casos, as repetições, combinadas com má escrita, levam a interpretações diferentes de cada trecho repetido, o que vai levar a problemas muito sérios de entendimento (“mas ele quis dizer isso ou aquilo?”).

Muito cuidado com termos “carregados”. A informática adora-os. agente, tarefa, Grid, serviço, etc… Usem-nos, mas usem uma definição única, sem equívoca, e sobretudo fundamentada por um autor importante da área. Nunca mude de interpretação no decorrer do texto (parece simples, mas é freqüente que isso aconteça). Muito cuidado com “algoritmo”, “programa” e “processos” (são coisas distintas). “Complexidade” tem um significado preciso e deve ser usado neste sentido.

Mencionei várias unidades no texto: capítulos, seções, parágrafos… Cada unidade deve ser (relativamente) auto-contida e reproduzir o esquema “introdução-desenvolvimento-conclusão”. Não precisa ter este esquema “explicitado” no texto (salvo no caso do capítulo). Em particular, até um parágrafo bem escrito deve guiar o leitor, tipicamente com uma primeira frase que seria, se não uma introdução, uma “entrada” lenta no assunto do parágrafo; e uma última frase que deve, se não concluir, manifestar ao leitor que está se encerrando o tratamento da idéia. Neste nível, realmente o estilo pode ter um papel importante. Exemplo:
Precisa-se agora exemplificar um pouco mais a idéia do parágrafo auto-contido. Não se deve literalmente escrever uma introdução ou uma conclusão no próprio parágrafo. Afinal, não se tem espaço para isso! Mas é importante que o leitor entenda desde as primeiras palavras o que será o foco do parágrafo, para depois entrar no assunto, e enxergar nitidamente até onde se chegou antes de passar à etapa seguinte. Dessa forma, o parágrafo passa a ser aquela unidade auto-contida que se queria.

Vá ao ponto. Não enrole. O leitor (e a banca) irá preferir 40 páginas bem escritas e indo ao essencial do que 80 páginas sem conteúdo. Se você escreve um artigo, é importante saber que quanto menos páginas você tem, mais você deve ir diretamente ao que importa: sua contribuição.

Fonte: Prof. Dr. Nicolas Maillard (INF-UFRGS)

Written by Rafael Vivian

26/07/2011 at 19:33

Publicado em Artigo, Redação

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